31/07/2009

Brasil: a lixeira para o 1º Mundo

"Não é admissível que os países pobres e em desenvolvimento seja a lata de lixo do planeta”

(Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente)


Não é admissível mesmo, ministro!!! No último mês, o País recebeu cerca de 1,5 mil toneladas de lixo. Só no Porto de Santos, a Alfândega identificou 970 toneladas de lixo orgânico.

Em tempos de discussões sobre aquecimento global, escassez de recursos naturais, redução de materiais descartados, reciclagem e educação ambiental, ainda há pessoas que não entendem o tamanho da importância em dos 3 R's: REDUZIR, REUTILIZAR E RECICLAR.

Encaminhar resíduos de uma nação para a outra é proibido, é crime. Convenção de Basiléia!!! Lembram dela?! Será que teremos de ensinar aos britânicos que é possível reciclar certos produtos como garrafas plásticas, sacolas e outros tantos materiais encontrados na carga de "polímero" (descrição da carga na declaração de importação).

Quem é mesmo de primeiro mundo?!

HISTÓRICO - No dia 27 de julho, durante mais de uma hora, o ministro Carlos Minc vasculhou os prensados de lixo e enfrentou o mau cheiro. No tumultuado, Minc encontrou garrafas e sacos plásticos, lixo tecnológico, além de materiais em decomposição “Isso é uma coisa imoral e ilegal, e não é de hoje”, criticou o ministro Carlos Minc, declarando que não é a primeira vez que países exportam lixo ao Brasil.

A previsão era de que o processo de repatriação dos 48 cofres metálicos, armazenados no Rio Grande do Sul, tivesse início na última segunda-feira. Em seguida, as autoridades encaminharam a carga estocada no Porto de Santos (41 cofres). Mas, o atraso do cargueiro adiou a devolução dos contêineres e alterou a programação anunciada pelo Ministro.

Conforme o IBAMA, as cargas encontradas nos Portos de Santos e Rio Grande do Sul podem retornar no mesmo navio no próximo domingo, dia 2 de agosto. Se o navio, mais uma vez, não se atrasar.

Fotos: Divulgação MMA/Jefferson Rudy

05/07/2009

Entrevista consciente: Um pouco mais de educação


Como respeitar o meu próximo se nem me reconheço como cidadão? Ter cidadania é saber que se têm direitos e deveres iguais. No entanto, vivemos em um País em que a política dos privilégios impera e os “jeitinhos” tentam burlar as leis. Tivemos a contribuição de um processo histórico que sempre cerceava os direitos de alguém. E, se é difícil respeitar o próximo, como querer que as pessoas preservem o meio ambiente? No entanto, o sociólogo Maurício Ferreira da Silva* acredita que com educação muita coisa pode se resolver.

Revista Jundu: Qual o papel da educação para a formação de pessoas mais conscientes?
Maurício Ferreira da Silva: O fator fundamental para a formação da cidadania é a escola. Em muitos casos, a escola prepara o aluno para ser o que a sociedade quer que ele seja, mas essa instituição é mais do que isso: precisa prepará-lo para o convívio social e não apenas para formar mão-de-obra. O sujeito aprende a ser cidadão no convívio. Ele necessita entender a importância da vida em sociedade para assim respeitar o outro e também o meio ambiente em que está inserido. A escola diz para o aluno ser alguém e ter uma profissão, mas o certo seria também ser uma extensão da família e ajudar a formar o cidadão. Esse ambiente tem um papel de dinamizar a democracia e incentivar os alunos a expor as suas idéias. É preciso criar uma consciência social para aprender a ver as causas e os efeitos dos nossos atos. As pessoas não conseguem fazer a relação sobre sua ação e a conseqüência para o outro.

Revista Jundu: É só a escola que deve se empenhar para a formação da cidadania?
Silva: Nessa formação da cidadania a escola não está sozinha, outras instituições, como meios de comunicação, família e instituições religiosas ajudam nesse processo.

Revista Jundu: O que o processo de formação do País tem a ver com isso?
Silva: A nossa colonização ajudou a formar o modelo de escola que temos hoje. Esse período contribuiu também para a má formação da cidadania, com influências do patriarcalismo e da escravidão. Temos a cultura do obedecer. Sempre se teve alguém que mandava: os donos da terra na época do império, os senhores de engenho, os coronéis, entre outros. As camadas mais pobres crescem submissas enquanto existem privilegiados, que detêm o dinheiro e altos cargos. Desta forma, os mais pobres não se vêem como iguais e como cidadãos.

Revista Jundu: Como querer falar em respeitar o próximo e o meio ambiente em um lugar em que muitos não se reconhecem como iguais?
Silva: Se a pessoa não tiver condições básicas para viver, não adianta. Se não tiver saneamento básico, saúde, segurança e educação, entre outras necessidades ela não irá estabelecer a ligação entre a falta de comida em sua mesa e os problemas ambientais. Não há como explicar que tem que tomar banho em menos tempo para uma pessoa que não tem comida na mesa. Os mais pobres de nossa sociedade têm deveres, mas não direitos, e para conhecer os direitos é preciso ir para a escola. Temos que atacar o problema desde a sua raiz, dar mais condições para essas pessoas. E, principalmente, uma educação de qualidade. Existe tempo para mudanças.

Revista Jundu: Nossa sociedade capitalista contribui para não pensarmos no próximo e consequentemente não pensarmos no meio ambiente?
Silva: Sim. Vivemos em cultura capitalista, em que se exalta o ter e não o ser. Pensa mais em si do que na sociedade. Existe o consumo exacerbado para satisfazer necessidades criadas pela mídia. Materiais que te fazem superior ao outro.

Revista Jundu: Por que tem gente que joga o lixo na rua e não em sua casa?
Silva: Na minha casa, mando eu. Por causa do conceito errado de cidadania, o povo não entende o espaço externo como seu. Quem é o público? Ninguém se coloca como cidadão. Desta forma, preservo a minha casa e não o espaço público que é de todos, inclusive meu.

Revista Jundu: Você acredita que podemos mudar esse quadro?
Silva: Hoje, há mais jovens conscientes, desta forma, teremos adultos mais comprometidos com as causas coletivas, como a preservação do meio ambiente para a nossa e para as futuras gerações. A consciência ambiental está mudando. A tendência é mudar mesmo. Não sou pessimista: a curto prazo, podemos resolver as questões emergenciais.

*Mauricio Ferreira da Silva possui graduação e mestrado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; doutorado, também na área de Ciências Sociais, pelo PPGCS da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). É pesquisador e professor titular do Centro Universitário Monte Serrat (UNIMONTE). Tem experiência como docente e pesquisador na área das Ciências Sociais, com ênfase em Instituições Políticas, Estudos Eleitorais, Cidadania e Educação, Sociologia da Comunicação e Estudos sobre Mídia e Política. Faz parte do grupo de capacitadores do "Gruhbas: Projetos Educacionais e Culturais". Autor do livro Quem me elegeu foi o rádio - Como o rádio elege seus representantes. (1. ed. São Paulo: Olho D'Água, 2000. v. 1. 91 p.)

18/06/2009

ONG Ecosurfi lança programa Surf Sustentável em Ubatuba


Na quinta feira, dia 18, a Organização Não Governamental (ONG) Ecosurfi inicia a primeira etapa do programa Surf Sustentável, uma iniciativa da organização para contribuir com a sensibilização da comunidade do surf sobre a questão ambiental. A idéia tem como proposta a criação de um diálogo entre os surfistas, para a construção da Aliança dos Surfistas pelo Meio Ambiente.
Ubatuba como a cidade mais surf do Brasil, sai na frente mais uma vez, e leva para a região o seminário Surf nas ondas da sustentabilidade, que irá trazer em sua programação palestras e dinâmicas para sensibilizar a comunidade do surf, sobre formas de enfrentar às mudanças ambientais globais, intensificadas pelo Aquecimento Global.
Esse programa carrega em sua base de ação a possibilidade de discutir entre todos os segmentos do esporte, o papel de cada empresa, indivíduo e/ou organização, frente ao atual modelo de desenvolvimento socioeconômico, que vem causando crises, desigualdades e homogenização cultural pelo Planeta e influenciando com implicações negativas a vida dos surfistas pelos litorais de todo o mundo.
O seminário será realizado no dia 18 de junho das 13h30 às 18h30, no Hotel São Charbel, localizado na Praça Nóbrega nº 280, Centro. Informações pelos telefones (12) 3832-1090 ou 3832-1080.


Sobre a Aliança dos Surfistas pelo Meio Ambiente
Para a construção e implementação das propostas de atividades e ações do programa Surf Sustentável, será criada uma rede, através da formação da Aliança dos Surfistas pelo Meio Ambiente.
A aliança irá visar o resgate imaterial da plena integração que o surf proporciona com a natureza, demonstrando experiências e vivências, para demandar subsídios que colaborem com a discussão entre os atores do esporte, para uma nova visão, comportamento e práticas sustentáveis, que possam ser incorporadas na agenda de toda a comunidade global do surf. Práticas que devam respeitar o meio ambiente são necessárias e precisam ser priorizadas pelos os agentes do surf. Contudo, a maneira encontrada para esse novo pacto entre o Homem e o Mar, será a concepção e celebração da Aliança dos Surfistas pelo Meio Ambiente, que tem como objetivo principal, proporcionar um novo consciente coletivo entre a comunidade do surf, através da elaboração e produção da Carta de Responsabilidade dos Surfistas pelo Meio Ambiente – CRSMA.

Responsabilidade dos Surfistas pelo Meio Ambiente
A Carta de Responsabilidade dos Surfistas pelo Meio Ambiente- CRSMA é um documento aberto, plural e diversificado, sem vinculações governamentais ou partidárias, que tem como base conceitual a Carta das Responsabilidades Humanas, que é um documento planetário que surgiu através da Aliança para um Mundo Plural e Solidário.
O trabalho de elaboração do projeto da CRSMA deve ser criado para:
  • Servir como ponto de partida para o aprofundamento da reflexão, do debate democrático de idéias sobre a área socioambiental;
  • A formulação de propostas, a troca livre de experiências e a articulação para ações eficazes, de pessoas, entidades, empresas e movimentos da sociedade civil e redes;
  • Articulações de homens e de mulheres das mais diversas origens sócio-culturais, credos, etnias, idades, orientação sexual, profissões, ideologia política ou filosófica, empenhados na construção de uma sociedade justa e igualitária;
  • Possibilitar o desenvolvimento sustentável e a proteção dos mares e oceanos;
  • Ser um espaço de convergência das pessoas que buscam e desejam lutar por um novo mundo, capaz de respeitar em sua integralidade os direitos humanos, sociais, culturais e ambientais universais.

Desta forma, a proposta da CRSMA, organizará ações como encontros, mobilizações para o engajamento público e audiências para montar um amplo debate sobre quais responsabilidades a comunidade do surf pode assumir frente às questões Ambientais Globais.
O programa Surf Sustentável conta o apoio da: Aliança para um Mundo Plural e Solidário, Prefeitura Municipal de Ubatuba / Secretaria de Meio Ambiente, AUS - Associação Ubatuba Surf, Mescalito Desing, Guia Itanhaém Comercial, Rejuma – Rede Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade, Coletivo Jovem de Meio Ambiente – CJ Caiçara, REBEA – Rede Brasileira de Educação Ambiental, REPEA - Rede Paulista de Educação Ambiental, Fórum do Litoral Paulista das Agendas 21. Para saber mais acesse:
http://www.surfsustentavel.blogspot.com/
http://ecosurfi.blogspot.com/
http://www.carta-responsabilidades-humanas.net/

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"Sendo Homens do Mar,
os Surfistas devem compactuar na busca incessante
pela preservação das praias, mares e oceanos
em todo o nosso Planeta" (ECOSURFI).

João Malavolta (ONG ECOSURFI)
http://www.ecosurfi.org/
http://www.ecosurfi.blogspot.com/
Blog: http://www.ecobservatorio.blogspot.com/
Acesse e participe do Grupo Ecosurfi: http://groups.google.com/group/ecosurfi

05/06/2009

Dia Mundial do Meio Ambiente: Vamos comemorar?

por Carol Binato*


Dia Mundial do Meio Ambiente: há o que comemorar? Com a apresentação da data (5 de junho), paira em nossos pensamentos esta pergunta. Ainda assistimos nos telejornais as devastações da Mata Atlântica, as invasões na Floresta Amazônica, o imenso descarte de lixo em locais impróprios. Então, o que comemorar? Os efeitos de tanta destruição estão visíveis no clima, nas chuvas, no ar, nas enchentes. Fatores agressivos ao indivíduo que insiste em destruir, esquecendo que está destruindo a si próprio.
Como diz o ditado ‘A esperança é a última que morre’, e no quesito meio ambiente ainda podemos encontrá-la nas crianças e em alguns pequenos grupos que tentam combater imensos problemas de destruição. Durante uma semana, diversas instituições, escolas e Organizações Não Governamentais realizam atividades em prol do Meio Ambiente, celebrando o dia 5 de junho. Uma forma de levar ao cidadão a importância da conservação dos ecossistemas existentes e do educar as atuais e futuras gerações.
Mas, as atividades de conscientização e educação ambiental não podem ficar restritas a um único dia. Um exemplo de incentivo e aprendizado é a Escola Ambiental de Praia Grande, modelo para a Região da Baixada Santista, que transmiti aos alunos da Cidade a importância da preservação do meio ambiente. Cultivo de plantas, técnicas de reciclagem, limpeza de manguezais, diminuição do consumo e a preservação dos recursos naturais são algumas práticas da Escola que não forma somente alunos mais conscientes. Educa e forma multiplicadores da informação.
Outro exemplo é a parceria entre o Núcleo de Jornalismo Ambiental Santos e Região e guias turísticos do grupo Caiçara Expedições, que promovem passeios pelos ecossistemas existentes na Região aos jornalistas. O objetivo transmitir as jornalistas todos os aspectos ambientais para que o profissional possa, no momento de registrar a notícia, decodificar de forma correta e simples as informações relacionadas ao meio ambiente. É, assim como na Escola de Educação Ambiental, uma maneira de educar e formar mais multiplicadores desta ação.
Ações como as exemplificadas neste artigo são maneiras de como colaborar na formação de uma sociedade mais consciente. E quando se diz sociedade, são todos os grupos: formadores de opinião, leitores, educadores, autoridades e comunidades.
E é vendo iniciativas e atividades como estas que chegamos a conclusão de que há sim o que comemorar. Basta sairmos do discurso e irmos para prática, trabalhando a favor do meio ambiente, transmitindo e decodificando de forma clara e objetiva os termos ligados ao meio ambiente para que todos possam entender o tamanho da importância em preservar e o tamanho da gravidade do problema (destruição) que assola o nosso planeta.


(*Carol Binato é jornalista formada pelo Centro Universitário Monte Serrat -Unimonte)

03/06/2009

Alunos da FALS promovem discussão sobre Ecoturismo neste sábado

Neste sábado, dia 6 de junho, os alunos do 3º ano do curso de Turismo da Faculdade do Litoral Sul Paulista (FALS) promovem o 1º Encontro Regional de Ecoturismo da FALS. Para o evento diversos profissionais das áreas de Turismo, Meio Ambiente e Esportes Radicais se reúnem para discutir sobre o potencial existente na Baixada Santista para a exploração de uma atividade que cresce nas cidades: o ECOTURISMO.
Além disso, os profissionais debatem sobre o planejamento e a prática de um Turismo Sustentável, sem depredação do meio ambiente, apoiando na criação de uma cultura de preservação e criando a consciência para a importância dos ecossistemas.
O evento será realizado no Auditótio Jornalista Roberto Marinho, localizado na sede da Secretaria de Educação (SEDUC) de Praia Grande - rua José Borges Neto, nº 50, bairro Mirim. As discussões iniciam às 15h.
por Carol Binato

25/05/2009

Conhecimentos



Nós, da equipe Jundu, gostaríamos de agradecer a participação do jornalista Eli Carlos Vieira em nosso blog. São estas manifestações que comprovam o resultado positivo do trabalho de grupos que lutam pela conservação e preservação do meio ambiente. Não basta informar, temos de aprender e compreender o tema.

Por isso, abrimos o espaço para os textos do jornalista Vieira. É justamente este um dos ideais da Revista Jundu: colaborar na formação de uma sociedade mais consciente. E quando dizemos sociedade, são todos os grupos: formadores de opinião, leitores, educadores, autoridades...

Este blog não é somente para apontar os problemas e as destruições. Ele serve como ferramenta para as boas ações como a da parceria entre o Núcleo de Jornalismo Ambiental Santos e Região e guias turísticos do grupo Caiçara Expedições. Atitudes que levam os transmissores da informação a entender a complexidade do tema PRESERVAÇÃO E CONSCIÊNCIA AMBIENTAL. O conhecimento 'in loco'! Isso é importante! Ver com os próprios olhos a beleza dos ecossistemas e compreender como eles são essenciais para a nossa sobrevivência. E o Vieira transmiti exatamente isso, a sua vivência entre manguezais e aves exuberantes e como aquele dia conseguiu mexer com seus conceitos sobre o meio ambiente.

É desta forma que nós jornalistas conseguiremos transmitir e decodificar de forma clara e objetiva os termos ligados ao meio ambiente para que os leitores possam entender o tamanho da importância em preservar e o tamanho da gravidade do problema (destruição) que assola o nosso planeta. Parabéns aos criadores do Projeto Visitação, aos participantes e ao jornalista Eli Carlos Vieira.

Carol Binato - membro da equipe Jundu

22/05/2009

Projeto leva jornalistas a conhecerem o mangue

Textos: Eli Carlos Vieira – Jornal Gazeta do Litoral
Fotos: Colaboração/Nara Assunção

Em tempos que muito se fala em preservação ambiental ou em formas de manter espécies ainda vivas para as próximas gerações, é comum também haver falta de informações suficientes ao abordar certos temas com relação à natureza. Um projeto do Núcleo de Jornalismo Ambiental Santos e Região (estância do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo), faz com que profissionais de comunicação da Baixada Santista tenham contato direto com diferentes ecossistemas. O projeto tem parceria com guias turísticos e embarcações do grupo Caiçara Expedições.
Na terça-feira, dia 19, um grupo de jornalistas e estudantes de comunicação participaram do primeiro roteiro do Projeto Visitação. Os visitantes embarcaram em canoas e remaram rumo à área de manguezal existente na região do Mar Pequeno, entre São Vicente e Praia Grande. Em trajeto de cerca de três horas e pouco mais de um quilômetro, esses profissionais presenciaram paisagens que nunca viram antes de tão perto.
O principal objetivo do Núcleo de Jornalismo Ambiental (criado em 2008) é investir em discussões entre jornalistas, a respeito do meio ambiente. “É preciso que haja sensibilização e isso é facilitado com a vivência do jornalista direto na natureza”, ressalta a coordenadora de comunicação do Núcleo, Catharina Apolinário. “Normalmente nas matérias sobre meio ambiente é comum ver as mesmas fontes sendo utilizadas, além de muitos termos técnicos. Pretende-se fomentar novas pautas ambientais. Queremos sair das mesmas matérias que falam sempre sobre agressão e denúncia.”

AÇÕES – Catharina explica que esse tour pelo mangue é apenas uma das ações que podem ser feitas no sentido de tornar a natureza mais próxima. A ideia foi proposta após a realização do 2º Encontro de Jornalismo Ambiental da Costa da Mata Atlântica, no dia 25 de abril. “Vimos que o mangue é pouco explorado. As pessoas costumam muito ir à praia, mas ignoram o mangue, que é essencial para a vida natural e ao estuário”, defende a coordenadora de comunicação.
Após esse passeio, o órgão que é formado por voluntários, planeja a formação de novos encontros, onde os profissionais do jornalismo possam trocar informações e aprender mais. “Queremos montar comissões, trazer técnicos e promover sabatinas ambientais, com muito diálogo sobre diversos aspectos do meio ambiente”, sugere Catharina, que anuncia para breve novas expedições, como por exemplo trilhas ecológicas, com destino a ser definido.
Quem deseja se unir ao grupo e atuar na divulgação de belezas naturais da região, pode entrar em contato com o Núcleo de Jornalismo Ambiental, pelo contato eletrônico: njasantoseregiao@gmail.com .



Três horas de remada, novas visões e descobertas

A proposta é simples. Para que jornalistas conheçam mais sobre o manguezal existente nas redondezas da região em que vivem, foram dados remos e direito a um assento em uma canoa de modelo canadense. Além da integração entre colegas de profissão, as descobertas que viriam à frente seriam reveladoras. O passeio de três horas ao longo do Estuário de São Vicente/Praia Grande foi guiado por instrutores do grupo Caiçara Expedições.
“Realizamos esse trajeto há três anos, voltado a todo tipo de grupo, a partir dos 7 anos de idade. Há trilhas, city tour, trekking e outras modalidades de passeio”, explica o guia turístico e diretor comercial do Caiçara Expedições, Renato Marchesini. Para ele, o grupo só de jornalistas é inédito. “A experiência é válida para todos. No caso desses profissionais, garanto que muita coisa muda após esse olhar e contato tão próximo – daí a proposta deles mesmos remarem e realizarem suas descobertas.”

MANGUEPor falta de conhecimento, muitas pessoas associam o mangue a lixo, a sujeira, sem saber que trata-se de um dos mais ricos ecossistemas vivos que há em ambientes de maré. Costuma-se nomear mangue, as espécies de árvores e arbustos que crescem em terrenos que não estão nem totalmente na terra, nem no mar. Já manguezal seria o termo que identifica apenas o local onde ocorrem essas plantas e o conjunto de seres vivos que nele vive (o ecossistema).
Na região de São Vicente/Praia Grande três espécies de árvores são as predominantes: o mangue-vermelho, mangue-preto e mangue-branco. O mangue-vermelho pode chegar a 15 metros de altura de raízes muito fortes. “Suas sementes são fecundadas ainda na árvore. Quando maduros, se desprendem da árvore-mãe, e se fixam assim que caem na água”, diz Marchesini.
Entre os animais, há invertebrados como caranguejos e siris, vermes, crustáceos, moluscos e até camarões. Há ainda cerca de 100 espécies de peixes, como tainhas, paratis, badejos e robalos, além de pequenos jacarés de papo amarelo.
Entre as cerca de 210 espécies de aves, estão a garça-azul, garça-branca, socó e o colhereiro. O destaque fica para a beleza do vermelho alaranjado dos guarás-vermelhos, semelhantes à cor dos caranguejos, seu alimento preferido.
Para conhecer opções de roteiros do grupo Caiçara Expedições, o telefone é 3466-6905. O endereço eletrônico é: contato@caicaraexpedicoes.com .


Comunicadores que viram de perto, têm a missão de repassar o aprendizado

O pensamento dos jornalistas, ao vestirem o colete de segurança, é de curiosidade. Tudo novo: remar em duplas ou trios em uma canoa, enfrentar a grandeza do Mar Pequeno e se deparar com espécies de fauna e flora nunca antes vistos tão de perto. O desafio começa na tentativa de se equilibrar, ao embarcar na canoa e depois manter a direção correta durante todo o trajeto.
Passado o medo de virar e cair na água, os visitantes eram só surpresa. Diversas perguntas eram feitas de barco para barco. Alguns anotam, outros com máquinas fotográficas, lutavam para não deixar nada escapar. “É impressionante como essa natureza está tão perto de nós. Sempre imaginamos como seja, mas nunca conhecemos de fato”, reconhece o estudante de jornalismo, Paulo Nogueira. “É lamentável como o ser humano degrada ambientes como esse.”
A jornalista Nara Assunção, de 24 anos, já conhecia este tipo de ecossistema, mas nunca foi ao manguezal de São Vicente/Praia Grande, muito menos passeou de canoa. “Foi uma experiência que ultrapassou minhas expectativas”, resume. Ela acredita que o passeio torne os profissionais mais entusiasmados a alertar a população. “Ao mesmo tempo que fomos surpreendidos por revoadas de aves vermelhas, azuis e brancas, me entristeceu ver a sujeira acumulada no local. É o lixo humano mais uma vez interferindo em um dos ecossistemas mais ricos que temos”, desabafa Nara.
As impressões que se tem são muitas. Ao realizar as primeiras remadas na água, vem o desejo de que toda a população pudesse fazer aquele tipo de passeio. Depois, se tem a impressão de que a natureza é frágil e que é preciso cuidá-la, mas, em outros momentos, vê-se a grandeza imponente das paisagens e então percebe-se que é preciso respeitá-la.
Tudo é som e imagem. Água, animais e vegetação. Peixes arteiros surpreendem os desavisados, pulando aqui e ali, fazendo barulhos na água silenciosa. Mais próximo ao manguezal, um ronco chama atenção de alguns, que chegam a questionar o guia sobre um possível jacaré, mas são apenas roncos da terra, causados por ar que vai do fundo da água, atingindo a superfície, pelos buracos feitos pelos caranguejos.
As aves, por sua vez, se exibem. Juntas, as muitas asas vermelhíssimas, algumas azuis quase no tom de chumbo, e outras brancas atravessam o céu. Nessa altura, os visitantes descansam os remos e só observam.
Ao fim, entre muitas ideias, pensamentos, sentimentos, fica a imensa sensação de que valeu a pena o cansaço e as expectativas criadas até ali.

As pessoas estão mais conscientes quando o assunto é preservar o planeta?