Após esse passeio, o órgão que é formado por voluntários, planeja a formação de novos encontros, onde os profissionais do jornalismo possam trocar informações e aprender mais. “Queremos montar comissões, trazer técnicos e promover sabatinas ambientais, com muito diálogo sobre diversos aspectos do meio ambiente”, sugere Catharina, que anuncia para breve novas expedições, como por exemplo trilhas ecológicas, com destino a ser definido.
Quem deseja se unir ao grupo e atuar na divulgação de belezas naturais da região, pode entrar em contato com o Núcleo de Jornalismo Ambiental, pelo contato eletrônico: njasantoseregiao@gmail.com .
Três horas de remada, novas visões e descobertas
“Realizamos esse trajeto há três anos, voltado a todo tipo de grupo, a partir dos 7 anos de idade. Há trilhas, city tour, trekking e outras modalidades de passeio”, explica o guia turístico e diretor comercial do Caiçara Expedições, Renato Marchesini. Para ele, o grupo só de jornalistas é inédito. “A experiência é válida para todos. No caso desses profissionais, garanto que muita coisa muda após esse olhar e contato tão próximo – daí a proposta deles mesmos remarem e realizarem suas descobertas.”
Na região de São Vicente/Praia Grande três espécies de árvores são as predominantes: o mangue-vermelho, mangue-preto e mangue-branco. O mangue-vermelho pode chegar a 15 metros de altura de raízes muito fortes. “Suas sementes são fecundadas ainda na árvore. Quando maduros, se desprendem da árvore-mãe, e se fixam assim que caem na água”, diz Marchesini.
Entre os animais, há invertebrados como caranguejos e siris, vermes, crustáceos, moluscos e até camarões. Há ainda cerca de 100 espécies de peixes, como tainhas, paratis, badejos e robalos, além de pequenos jacarés de papo amarelo.
Entre as cerca de 210 espécies de aves, estão a garça-azul, garça-branca, socó e o colhereiro. O destaque fica para a beleza do vermelho alaranjado dos guarás-vermelhos, semelhantes à cor dos caranguejos, seu alimento preferido.
Para conhecer opções de roteiros do grupo Caiçara Expedições, o telefone é 3466-6905. O endereço eletrônico é: contato@caicaraexpedicoes.com .
Comunicadores que viram de perto, têm a missão de repassar o aprendizado
Passado o medo de virar e cair na água, os visitantes eram só surpresa. Diversas perguntas eram feitas de barco para barco. Alguns anotam, outros com máquinas fotográficas, lutavam para não deixar nada escapar. “É impressionante como essa natureza está tão perto de nós. Sempre imaginamos como seja, mas nunca conhecemos de fato”, reconhece o estudante de jornalismo, Paulo Nogueira. “É lamentável como o ser humano degrada ambientes como esse.”
A jornalista Nara Assunção, de 24 anos, já conhecia este tipo de ecossistema, mas nunca foi ao manguezal de São Vicente/Praia Grande, muito menos passeou de canoa. “Foi uma experiência que ultrapassou minhas expectativas”, resume. Ela acredita que o passeio torne os profissionais mais entusiasmados a alertar a população. “Ao mesmo tempo que fomos surpreendidos por revoadas de aves vermelhas, azuis e brancas, me entristeceu ver a sujeira acumulada no local. É o lixo humano mais uma vez interferindo em um dos ecossistemas mais ricos que temos”, desabafa Nara.
As impressões que se tem são muitas. Ao realizar as primeiras remadas na água, vem o desejo de que toda a população pudesse fazer aquele tipo de passeio. Depois, se tem a impressão de que a natureza é frágil e que é preciso cuidá-la, mas, em outros momentos, vê-se a grandeza imponente das paisagens e então percebe-se que é preciso respeitá-la.
Tudo é som e imagem. Água, animais e vegetação. Peixes arteiros surpreendem os desavisados, pulando aqui e ali, fazendo barulhos na água silenciosa. Mais próximo ao manguezal, um ronco chama atenção de alguns, que chegam a questionar o guia sobre um possível jacaré, mas são apenas roncos da terra, causados por ar que vai do fundo da água, atingindo a superfície, pelos buracos feitos pelos caranguejos.
As aves, por sua vez, se exibem. Juntas, as muitas asas vermelhíssimas, algumas azuis quase no tom de chumbo, e outras brancas atravessam o céu. Nessa altura, os visitantes descansam os remos e só observam.
Ao fim, entre muitas ideias, pensamentos, sentimentos, fica a imensa sensação de que valeu a pena o cansaço e as expectativas criadas até ali.



